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PP e UB encontram impasses regionais para federação e Avante deve sair de cena

O Partido Progressista (PP) e o União Brasil (UB) encontram impasses em acordos para a criação da federação nas disputas sobre o comando de diretórios regionais em pelo menos sete estados, que deve tirar o Avante de cena. O partido queria o comando do diretório de Minas Gerais, mas passou a sofrer resistências. Segundo um membro da legenda, a chance de o partido avançar com o projeto da federação é quase nula.

Enquanto isso, os integrantes do PP e da União Brasil, conforme a Folha de São Paulo, listam uma série de entraves para que a combinação dos partidos aconteça. Apesar do longo período de negociação, as discordâncias inda dominam o cenário e alguns membros das legendas veem pouca chance de a aliança prosperar.

No entanto uma parte do PP e da União e lideranças envolvidas nas negociações ainda afirmam que tudo será resolvido no diálogo e que a federação será criada, com ou sem acordo nos estados.

As principais dificuldades estão nos estados do Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraíba, Paraná e São Paulo.

O critério que foi definido para resolver os obstáculos envolve ceder o diretório estadual para o grupo político mais influente localmente.

Nos estados em que o governador for filiado a um dos dois partidos, o grupo aliado ao chefe do Executivo estadual deve ter precedência na definição do presidente do diretório.

Nas regiões em que a federação não tiver governador, a precedência será definida pela quantidade de senadores. Se houver empate, o último critério será a quantidade de deputados eleitos no estado.

O critério não agrada políticos influentes no Congresso que podem perder espaço regionalmente com a federação.

Na Paraíba, por exemplo, a União Brasil ficaria com o comando do diretório. O estado elegeu o senador Efraim Filho em 2022. Mas o grupo político do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) não aceita perder a influência local e a possibilidade de lançar candidaturas para as eleições municipais de 2024.

Mas, conforme o deputado federal baiano, Elmar Nascimento do UB as negociações estão avançando. “Está avançando. Fechamos em 15 dias”, disse.

Integrantes da União Brasil esperam que, se a negociação da federação for destravada, o partido garanta a indicação do relator do Orçamento de 2024 —o primeiro na gestão trceira gestão do presidente Lula.

O partido é resultado da fusão entre PSL e DEM. Por isso, já convive com divergências internas.

Com a federação, a sigla e o PP podem, juntos, ter mais poder para pleitear posições estratégicas no Congresso, como relatórios de projetos importantes para o Planalto.

O União Brasil tem três ministérios na Esplanada do presidente. O PP mantém a posição de independência, mas, segundo integrantes do partido, tende a aderir ao governo quando as negociações políticas avançarem com o Palácio do Planalto.

Se a federação for formada, PP e União Brasil montariam uma superbancada de 108 deputados —superando o PL (hoje com 99 deputados) e a federação do PT, PC do B e PV, que soma 81. Se o Avante decidir se juntar a PP e União, seriam 115 integrantes.

Esse acordo aumentaria o poder de fogo dos dois partidos no Congresso e na relação com o governo, como as discussões sobre as comissões da Câmara. Porém isso também geraria algumas obrigações consideradas incômodas.

A lei que criou as federações partidárias foi validada na última quarta-feira (9) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu o prazo final de 31 de maio para que as siglas possam se unir neste ano.

Nas federações partidárias, as legendas que se associam são obrigadas a atuar de forma unitária ao menos nos quatro anos seguintes às eleições, nos níveis federal, estadual e municipal. O não cumprimento dessa regra pode gerar punições.

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