BK2

O perfil de ocorrência da LRA na UTI e indicadores epidemiológicos da doença renal.


O abrupto desenvolvimento da lesão renal aguda em regime intensivo, além do percentual vertiginoso de sua ocorrência, tem se destacado com uma das urgências sobremodo prevalente em UTIS, quer seja pela nefrotoxicidade da terapia medicamentosa, frente aos patógenos mais incidentes e potencialmente delicados combatidos em infecções bacterianas, virais e fúngicas, em especial aqueles que comprometem o sistema urinário e respiratório como focos principais ou pelo variado esquete sintomatológico que demanda da otimização da equipe e recursos, além do tempo prolongado de internação, desequilíbrios ácido-bases, bem como hidroeletrolíticos, e ainda o grau de azotemia elevada, a hipotensão com reflexo grave na hipoperfusão, dentre outros aspectos que caracterizam a atenção ao paciente com comprometimento renal nas unidades intensivas.Vale destacar que idosos em UTIS, pacientes com comprometimento cardiovascular ou em tratamento oncológico e não diferentemente aqueles em uso acentuado de aminoglicosídeos e antiinflamatórios, os atendimentos de urgência e emergência por causas externas, pacientes crônicos com quadro agudizados, grandes queimados e aqueles com sepse grave ou com problemáticas cirúrgicas ou na recuperação pós anestésica estão entre os mais propensos a desencadear LRA.  Dentre os preditores para a abordagem dialítica estão a elevação da uréia sérica, a instauração do  quadro de oligúria e anúria, a problemática da sobrecarga hídrica não resolvível por diuréticos, o desequilíbrio ácido-base, a  ocorrência de hipercalemia e a instabilidade miocárdica, além da  hipofosfatemia, hipomagnesemia, hipocalcemia, dentre outros. A atenção minuciosa na avaliação clínica, a interpretação assertiva dos exames laboratoriais e o parecer da nefrologia frente aos marcadores do prejuízo da função renal constitui o processo de definição para a filtração extracorpórea.É pertinente ressaltar que pacientes com déficit no acesso à Atenção Primária, em especial clientes oriundos de zonas rurais, diabéticos e hipertensos possuem maior prevalência entre a ocorrência de doença renal, e quando sem atenção devida também podem evoluir a tratamento intensivo em decorrência de suas complicações. Não obstante a dificuldade do acesso à água potável e a alimentação adequada, a  ocorrência de doenças infecciosas, a inexistência do suporte em nefrologia em hospitais de menos densidade técnica e interioranos, corroboram para o aumento da LRA. Esse cenário é mais preponderante na região norte, nordeste e centro-oeste, enquanto a região sul e sudeste, que detém maior parte do serviço de nefrologia do País, também possuem um perfil diferente de entrada de pacientes no programa de diálise.  Todos esses indicadores e outros determinantes sociais da saúde viabilizam a manutenção elevada da incidência e prevalência da doença renal como uma das patologias mais prementes da atualidade associada aos elevados índices de morbimortalidade, gerando a preocupação dos serviços básicos e intermediários e não diferentemente  do serviço intensivo.

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