BK2

O paciente intensivo com rabdomiólise

 A despeito do variado esquete causal que predispõem o paciente a desenvolver rabdomiólise, o trauma desponta, dentre as questões multifatoriais,  como fator de risco físico mais importante em nossas unidades de urgência e emergência e sua associação com o comprometimento renal é factual. A dispensação de determinadas substâncias químicas de fundo muscular, dentre elas a mioglobina,  quer seja por motivações traumáticas ou patológicas na circulação do paciente, podem resultar em rabdomiólise. Tecnicamente considerada em primeiro momento não tão preocupante clinicamente, pode variar até o comprometimento intensivo, demandando portanto, a necessidade de avaliação precoce da sintomatologia, bem como correlação com fatores de risco para a identificação da injúria renal aguda e concomitante definição da propedêutica. Essa intercorrência é um fator epidemiológico preditor de morbimortalidade em UTI por LRA, ocupando papel de destaque, motivo este da importância da compreensão do fator causal para abordagem antecipada. Variadas causas levam o desenvolvimento da rabdomiólise, a saber dentre as mais preponderantes, estão o tempo demasiadamente longo dos pacientes críticos crônicos imobilizados em UTIs com internações muito prolongadas. A atividade física exacerbada e a estrutura inadequada em academias, decorrente da falta de orientação profissional para realização de treinos, bem como a baixa ingesta hídrica e a falta da climatização corroboram igualmente para o desenvolvimento da rabdomiólise. Não diferentemente, as exposições e  variações abruptas de temperatura e o déficit na irrigação sanguínea dos órgãos e suas consequências, além do uso abusivo de álcool, drogas e a exposição ao veneno de animais peçonhentos estão dentre as demais motivações. Quadros infecciosos, comprometimento genético e doenças autoimunes, também podem favorecer o desenvolvimento da rabdomiólise. No quadro característico do comprometimento renal por rabdomiólise, deve se atentar para as alterações eletrolíticas e de volume. Existente atenção com a ocorrência de desidratação e a própria sepse. Os episódios de hiperpotassemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia, hipomagnesemia e acidose metabólica devem ser considerados. No tocante ao manejo, há de se atentar para a sobrecarga hídrica, alterações metabólicas graves e descompasso eletrolítico. A hemodiálise está indicada em casos graves.

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