
O mercado do café iniciou esta sexta-feira (03/04) em movimento de baixa, reforçando uma tendência de recuo observada ao longo da última semana. Os dados mais recentes indicam que o café arábica, principal referência de qualidade no Brasil, está sendo negociado a R$ 1.870,64 por saca de 60 kg na cidade de São Paulo. Já o café robusta (conilon) registrou queda de 1,26%, sendo cotado a R$ 937,13.
Segundo informações do CEPEA/ESALQ, compiladas pelo Brasil 61, os preços das duas variedades apresentaram retração contínua no período entre 27 de março e 3 de abril de 2026, sinalizando um momento de ajuste no mercado.
O que está por trás da queda?
A desvalorização do café pode ser explicada por uma combinação de fatores internos e externos. No cenário internacional, há uma leve desaceleração na demanda, somada à expectativa de aumento da oferta global — especialmente com previsões positivas para safras em importantes países produtores.
No Brasil, maior produtor mundial, o mercado também reage às condições climáticas relativamente favoráveis em algumas regiões, o que eleva as expectativas de produção e pressiona os preços para baixo.
Além disso, o comportamento do dólar influencia diretamente as cotações. Um real mais valorizado tende a reduzir a competitividade das exportações, impactando negativamente os preços internos.
Impactos para produtores
Para os produtores, especialmente os de pequeno e médio porte, esse movimento de queda acende um sinal de alerta. Margens de lucro podem ser comprimidas, principalmente para aqueles que enfrentam custos elevados com insumos, mão de obra e logística.
No caso do café robusta, a queda mais acentuada pode indicar maior pressão de oferta no mercado interno, o que exige ainda mais estratégia na comercialização.
Tendência: ajuste ou início de ciclo?
Apesar do recuo recente, especialistas indicam que ainda é cedo para afirmar se o mercado está entrando em um ciclo prolongado de baixa. O café é uma commodity altamente sensível a fatores climáticos, geopolíticos e cambiais — o que pode provocar rápidas reviravoltas.
Por ora, o cenário aponta para um movimento de correção após períodos anteriores de valorização, com o mercado buscando equilíbrio entre oferta e demanda.
O momento exige atenção redobrada dos produtores e agentes do setor, que devem acompanhar de perto os indicadores e tendências para tomar decisões mais assertivas. Em um mercado volátil como o do café, informação continua sendo o principal insumo estratégico.












