
A Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza, nesta segunda-feira (2/3/26), uma visita técnica e audiência pública em Salto da Divisa, no Vale do Jequitinhonha, para verificar os impactos negativos atribuídos à construção da Usina Hidrelétrica de Itapebi. A iniciativa ocorre a pedido do deputado Doutor Jean Freire (PT).
Pela manhã, a partir das 9h, os parlamentares devem visitar casas que apresentam rachaduras supostamente provocadas pelas explosões durante as obras da barragem e pelo enchimento do reservatório, além da estação de tratamento de esgoto e da ocupação Irmã Dorothy, comunidade que reivindica o direito à moradia. À tarde, às 14h30, será realizada audiência pública na Câmara Municipal para debater os efeitos do empreendimento e possíveis medidas de mitigação, com a participação de autoridades e representantes dos atingidos.
Inaugurada em 2003, a hidrelétrica segue sendo alvo de controvérsias. Moradores e associações locais afirmam que o reservatório inundou área superior à prevista inicialmente, prejudicando atividades tradicionais como as de lavadeiras, pescadores e extratores de pedra e areia. Pescadores relatam que a ausência de escada para peixes comprometeu a reprodução de espécies como traíra, piau e cascudo no Rio Jequitinhonha, afetando a pesca artesanal.
A população também denuncia poluição no reservatório. Segundo moradores, apesar do compromisso assumido pela Neoenergia de tratar o esgoto do município, ainda haveria despejo sem tratamento adequado. A empresa informa que mantém 12 programas de mitigação ambiental, incluindo recuperação de áreas degradadas, tratamento de esgoto, adequação de moradias e ações de educação ambiental.
Os atingidos consideram as medidas insuficientes e cobram despoluição e repovoamento do rio com espécies nativas, indenizações para trabalhadores impactados, reforma de casas com rachaduras e construção de novas moradias em áreas seguras. O tema já foi debatido anteriormente na ALMG, em 2014 e 2016. O deputado Doutor Jean Freire defende a responsabilização da empresa e a garantia dos direitos das famílias afetadas.
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