Brasil Tambor
Por Lindiomar Cerqueira

Publicada em 06 de Junho de 2016 ás 09:32:56

Sofrência Universitária

Sofrência é um neologismo da língua portuguesa, formado a partir da junção das palavras "sofrimento" e "carência", e possui um significado similar ao da expressão popular "dor de cotovelo". 
 
A "Sofrência" pode ser entendida como um estado de espírito, quando alguém se sente desiludido e triste, seja por causa de um amor não correspondido, uma decepção amorosa, traição e etc. 
 
No mundo da música, a "Sofrência" é a canção que fala sobre as decepções afetivas ou ciúmes exagerados de um amor que não é correspondido. A Sofrência ainda pode significar o ato de sofrer continuamente, de maneira depressiva e lastimável. 
 
A palavra Sofrência não consta no Aurélio, mas nos últimos meses é a palavra mais citada e ouvida no meio musical, A Sofrência não é nada mais do que uma denominação a um tipo de música com apelos sentimentais.
 
Este termo ganhou notoriedade nacional graças ao cantor baiano Pablo, mais conhecido como "o rei do arrocha". Não demorou muito para que as músicas feitas pelo artista fossem associadas à "Sofrência",
 
Mas já existe um outro segmento do Arrocha que é a Sofrência Universitária, surgindo assim um novo gênero musical no Brasil, que mistura o ritmo do Sertanejo Universitário, do Arrocha Baiano e a música Brega de Pernambuco. 
 
A Sofrência Universitária,  foi inicialmente gravada por grandes nomes do Sertanejo Universitário  como, Israel Novaes, Cristiano Araújo, Michel Teló, Gusttavo Lima, Deyvid e Emanuel, e  por estrelas do Arrocha baiano como, Tayrone Cigano, Cinho Silva, Thierry, Allex Rocha, Osnir Alves entre outros.
 

Segundo Alex Rocha, que vem despontando na região Norte com sua Sofrência Universitária, ele optou pelo estilo porque ouvia muitas reclamações dos fãs, de que a um certo momento o show ficava monótono. Já com a mudança de estilo, as pessoas cantam e dançam todo o tempo do show, pois as músicas têm um balanço pra frente, mas continuam falando de amor. Vários artistas já estão introduzindo em seus shows o estilo Sofrência Universitária. Não sabemos aonde pode chegar, mas o certo é que enquanto houver amor a Sofrência nunca deixará de existir. 

Por Lindiomar Cerqueira

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Publicada em 28 de Dezembro de 2014 ás 08:54:51

Matéria prima desprezada

O que é música baiana e o que é Axé Music? Fora da Bahia as pessoas pensam que é a mesma coisa, mas na verdade a música baiana é composta de muitos estilos. Temos o Axé, o Samba (que foi o inicio de nossa música, através de Donga que compôs o primeiro samba, “Pelo telefone”) e temos o Afro (Olodum, Ilê Ayê...), que é uma expressão da cultura negra que espalhou-se pelo Brasil. Nós temos também o Samba Duro, que alguns insistem em chamar de Pagode, temos o Samba de Roda (Terra Samba e É o Tchan) temos o Arrocha (Pablo, Silvano Salles, Nara Costa, Asas Livres) e temos a nova Arrochadeira (Luxúria, Kuarto de Empregada, Gasparzinho, Neto Lx, Latitude 10 e Trio da Huanna). Temos ainda o Forró Pé de Serra do Trio Nordestino, Kinka dos 8 Baixos, Adelmário Coelho, Zelito Miranda e outros tantos, mas o que divulgou a nossa cultura musical para o mundo foi o Axé Music, que após quase 35 anos passa por uma crise de identidade.

A mídia confunde o lançamento do LP "Magia" de Luis Caldas em 1984 com o nascimento do Axé Music, que antes era chamada de música baiana. Em 1981, o Trio e Banda Tapajós lançou o LP "Jubileu de Prata", comemorando 25 anos do Trio Tapajós, e em 1983 Chiclete com Banana e Trás os Montes lançaram um LP com grandes sucessos, só que em 1975 Moraes Moreira, pós novos baianos, cantou pela primeira vez em um Trio Elétrico, “Trio Dodô & Osmar”. A partir daí nascia a música baiana de carnaval, que mais tarde o jornalista Agamenon Brito, querendo usar um termo "pejorativo" batizou de Axé Music. Já tivemos anos de glórias, assim como teve o Samba, o Forró, a MPB, o Rock. Estamos passando por um momento de arrumação da casa, um movimento de rua não morre, apenas segue outros caminhos.

As nossas  estrelas continuam figurando entre os grandes, mas isto é muito pouco para quem por anos foi o Rei da festa. Já ouvi muito "blá, blá, blá" sobre o real motivo da crise do Axé Music, crise esta causada pelas estrelas que jogaram fora as sandálias da humildade no momento em que desprezaram a principal fonte do sucessos que são os compositores. Hoje as estrelas nem os recebem, estes que foram a causa principal do sucesso da nossa música. Todos os grandes artistas têm hoje uma equipe que os cercam, na sua maioria são pessoas que visam dinheiro e não qualidade. São eles que recebem as músicas em CDs, fazem uma "peneira" e só chega na mão dos artistas aquelas que eles levam algum tipo de vantangem. Podem pegar os encartes de CDs e vejam o nome dos compositores. Em sua maioria, têm compositores em parceria com o verdadeiro dono da obra que nem sabem o que é uma nota musical, simplesmente colocam o nome na parceira para poder ganhar algum.

Tem "uma certa banda de pagode" que o empresário aparece como compositor em diversas músicas, mas se você pedir para que ele componha  duas frases de uma música , ele jamais fará. A crise do Axé está sendo causada por falta de músicas de sucesso. Independente de ser considerado bom ou ruim, o arrocha de Pablo tomou conta do Brasil, assim como a Arrochadeira do Gasparzinho, Luxuria, Kit Ilusão e Neto Lx, todos com músicas na boca do povo. Estas bandas estão parando para ouvir os compositores. 

No começo do Axé Music, os artistas desciam ladeiras, entravam em vielas que precisavam passar de lado, sentavam em porta de butecos com os compositores, e lá eles ouviam as músicas direto da fonte. Hoje, estes mesmos compositores nem têm acesso aos luxuosos escritórios das estrelas. O artista passa um ano inteiro lucrando com o sucesso de uma canção e não dispõe de uma semana para ouvir pessoalmente os autores para seu próximo trabalho. 
 
A música sertaneja, que hoje domina a cena musical brasileira, está importando os compositores baianos desprezados por nossas estrelas. Os maiores sucessos do sertanejos são de compositores baianos: "Aí se eu te pego", gravado por Michel Teló, é composição de dois baianos, Antonio Dygs (Feira de Santana) e Sharon Acioly (Porto Seguro), "Domingo de Manhã" e outras mais é composta por Bruno Caliman (Itamarajú), "Balada", o grande sucesso de Gustavo Lima é de Cássio Sampaio (Feira de Santana) e, igual a estes que citei, existem dezenas. 
 
E porque nenhuma banda de Axé gravou estes compositores? Porque eles não conseguem ter acesso as estrelas. Compor é um dom dado por Deus, não se fabrica um compositor. Dom é uma das poucas coisas que a grana não pode comprar e algumas das nossas estrelas insistem em querer gravar as porcarias que compõem. Se liguem artistas da Bahia, desçam do salto e respeitem os compositores, porque do jeito que vai, daqui a uns dias, eles é quem não vão querer que vocês gravem as composições deles.

Por Lindiomar Cerqueira

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Publicada em 15 de Novembro de 2014 ás 20:23:25

A vida e a morte de Tim Maia

Sempre que a mídia anuncia o lançamento de um filme sobre a vida de alguma celebridade, os fãs ficam curiosos para saber um pouco mais da intimidade do artistas, foi assim com Os Dois Filhos de Francisco ( Zeze di Camargo & Luciano), com Cazuza e outros tantos, e não poderia deixar de ser assim com o filme de Tim Maia. Na maioria destes filmes, os autores fazem questão de mostrar o lado “bonitinho”, às vezes escondendo a verdade que não os agrada.

Já com Tim Maia foi diferente e, transparente, como tudo em sua vida, o filme retrata o modo de vida que ele viveu, sem querer maquiar nada. O filme é realmente emocionante, mostra um Tim Maia que poucos conheciam, já que ele morreu em 1998.

Mostra uma infância pobre na Tijuca, onde era entregador de marmitas e sentia-se rejeitado pelas meninas por ser mulato, gordo e feio. Na época da Tijuca, montou o conjunto Sputnik junto com Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Mostra um Tim Maia sem paciência e às vezes violento, usuário de drogas pesadas, mostra um Tim Maia ladrão de carros que foi preso e deportado dos Estados Unidos e que, na volta para o Brasil, foi preso mais uma vez por roubo.

Neste período Roberto e Erasmo ficaram ricos e famosos, e em certo momento do filme, sentimos raiva de Roberto e Erasmo por não ajudarem ao antigo amigo. São várias fases da vida do artista, o sucesso nacional, atingindo o status de maior vendedor de LPs do Brasil por dois anos, as loucuras religiosas, o ostracismo, a volta por cima e por fim a morte. Com certeza o filme não retrata 100% do que foi a vida de Tim Maia, porque nem a família dele sabe tudo o que o artista viveu, mas dos filmes biográficos que já assisti este, sem sombra de dúvidas, é o mais próximo da realidade.

Por Lindiomar Cerqueira

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