Ponto de partida
Por Adriana Bastos

Publicada em 02 de Julho de 2016 ás 22:23:57

Invocação para um dia líquido

De forma poética, o grupo Cordel do fogo encantado, intérprete da música Chover – Invocação para um dia líquido, composição de Lirinha e Clayton Barros e trechos de cordéis de Zé Bernardinho e João Paraibano, alimenta a cultura brasileira e ao mesmo tempo declama o sofrimento antagônico entre a escassez de chuva e excesso da mesma. Sucessor de artistas como Luiz Gonzaga e Fagner, que também divagam sobre o tema, o grupo permeia pela homogeneidade da música e poesia popular. Traz em seus versos o drama vivido por sertanejos com a falta de água e, consequentemente, a miséria que assola a população. 

A invocação da chuva pode ser analisada nos primeiros versos juntamente a referências religiosas, deixando implícito que mesmo em meio ao desespero o povo tem fé que a situação do sertão melhore. A linguagem é trabalhada com algumas metáforas, além de toques poéticos, como em: “Cego Aderaldo peleja pra ver [...] Já que seu olho cansou de chover”. Com seus olhos que não mais enxergavam a luz do mundo, ele estava cansado de tanto lamentar e clamar por chuva – (Aderaldo Ferreira de Araújo, “Cego Aderaldo”,foi mestre na arte do improviso em rimas, retrado e eternizado por outros artistas em suas canções).

Os compositores trabalham com as ideias de evocação, saciedade e lamento que se seguem na sequência dos versos.  Inicialmente os sertanejos evocam a chuva, fazem festa com sua chegada e posteriormente lamentam o excesso, pois este traz consigo o infortúnio da destruição, evidenciado no trecho: “onde o boi pisa se atola [...] Foi tanta água que meu boi nadou”. Esse é um fato que já foi presenciado no nordeste e que assusta os moradores da região do sertão baiano.

Analisado numa perspectiva atemporal, João Cabral de Melo Neto em Morte e Vida Severina, em décadas atrás, já enfatizava que: “somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina”; ou seja é um sofrimento partilhado por todos que perecem vitimados pela escassez de chuva, escassez de recursos...

Talvez a força da chuva não seja tão forte quanto a seca presente no planejamento governamental que deixa ao acaso a região nordeste e milhares de moradores que sofrem com a vasta estiagem em meio a vastidão de água existente no mundo. 

Por Adriana Bastos

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